O município paulista de Guaratinguetá está situado no vale do Rio Paraíba,
em ponto estratégico entre o litoral de São Paulo, sul de Minas Gerais e
Rio de Janeiro. Emoldurado pelas magníficas serras Quebra-Cangalha e
Mantiqueira, o povoado surgiu em 1628, em torno de uma capelinha feita de
pau-a-pique e coberta de palha, erguida pelos primeiros homens brancos que
por lá passaram a procura de ouro e pedras preciosas nas regiões além da
Mantiqueira, que mais tarde seria conhecida por Minas Gerais.
Grande quantidade de garças marcava a belíssima paisagem da região às margens do
Rio Paraíba, por isso os índios a ela se referiam como Guaratinguetá, que
em tupi-guarani significa reunião de garças brancas.
A população guaratinguetaense é muito voltada a intensa religiosidade,
explicitada em sua esplêndida Catedral de Santo Antônio (tombada pelo
Patrimônio Histórico), suas muitas igrejas (algumas inclusive tombadas
como Monumentos Históricos e Arquitetônicos), seminário (recebe alunos de
todo o país para formação religiosa), mosteiro (das monjas Concepcionistas
que vivem em clausuras) e a conhecida em todo o território nacional Gruta
de Nossa Senhora de Lourdes.
Guaratinguetá tem uma grande vocação festeira, oferecendo um calendário
repleto de comemorações profanas e religiosas. Nelas são notáveis as
heranças européias, miscigenadas pelas tradições africanas e indígenas.
Grupos folclóricos apresentam pela cidade a Catira (Cateretê), Moçambique
(bailado guerreiro de origem africana), Folia de Reis, Maculelê (misto de
jogo e dança de bastões), Capoeira, Quadrilha, Jongo (Caxambu) e Congada
(bailado em que os figurantes representam, entre cantos e danças, a
coroação de um rei do Congo).
A festa de São Benedito se apresenta como um dos maiores acontecimentos
religiosos, culturais e sociais dentro do calendário de devoção popular
brasileira. No início era festa de escravos e após a abolição do cativeiro
ganhou maior expressão, atravessando os séculos e envolvendo nos dias
atuais toda a comunidade rural e urbana.
Inicía-se no domingo de Páscoa com a saída das Caixas de São Benedito
anunciando a festa, seguidas pelas cavalarias de São Gonçalo e São
Benedito (são dezenas de milhares de cavaleiros vestidos à carater que
desfilam por toda a cidade, com os cavalos enfeitados).
As Cavalarias seguem a procissão do Mastro, Coroa e Bandeira, presidida
por um Rei e uma ainda que são seguidas de uma corte composta de Juízes de
Vara e Ramalhete, Capitão do Mastro, Tenente da Coroa e Alferes da
Bandeira. Durante os dois dias da festa, todas as solenidades são
acompanhadas por grupos de Congadas e Moçambiques.
A simplicidade e cordialidade do povo de Guaratinguetá, aliadas a tradição
e beleza da festa, emociona os visitantes, principalmente aqueles que vem
dos grandes centros urbanos onde a grandeza dos pequenos gestos há muito
tempo se perdeu.
Guaratinguetá também é rica em monumentos, marcos de sua memória,
responsavelmente preservados e tombados pelo inquestionável valor
histórico, arquitetônico e cultural que representam, além de ser a memória
viva de seu povo. Caminhar pelas ruas da cidade é como retornar 200 anos
na história, sem a preocupação com a violência que assola as grandes
cidades, e, ao mesmo tempo valorizar a modernidade, porque em
Guaratinguetá estão instaladas empresas detentoras da mais alta tecnologia.
Bairro Pedrinha
A cordialidade com que o povo acolhe os turistas, a segunrança e
tranquilidade de suas ruas, as festas profanas e religiosas, seus
monumentos bem preservados e os pontos religiosos onde os visitantes
demonstram sua devoção já seriam suficientes para fazer desta uma cidade
muito especial. Mais ainda tem mais.
Aqueles que tiveram o privilégio de
conhecer os cenários campestres que a circundam foram unânimes em afirmar
que tiveram grande dificuldade em retornar ao seu local de origem.Em
outras palavras, não queriam ir embora, como alias, diz a lenda que quem
conhece Guaratinguetá reluta em deixá-la, e sempre volta. Mas é fácil de
entender: os que deixam a vida agitada para trás encontram-se com picos,
cumes, serras, morros, colinas, rochedos, vales, mangues, rios, lagos,
cachoeiras e entram em comunhão absoluta com a Mãe Natureza.
Guaratinguetá , uma cidade onde a natureza foi realmente generosa como
toda mãe. O verde escuro da mata nativa só é quebrado pelos carros de boi
transportando leite pelos caminhos das fazendas. Nos acessos às cachoeiras
de águas geladas e cristalinas, que o povo nativo chama carinhosamente de
"roça", o turista encontra desde fazenda de búfalos até flores e pássaros
cujas pétalas e plumagens tem cores tão vivas e variadas que às vezes
custa a crer que são reais.
O bairro do Gomeral é uma "roça" que merece destaque, pois ali dentro da
mata intocada estão encravadas as cachoeiras mais esplêndidas da região,
cujas águas rolando sobre as pedras formam delicadas piscinas naturais (12
quilômetros além fica o município de Campos do Jordão).
No bairro do Taquaral situa-se o aqueduto da Fazenda da Esperança, que
desenvolve importante obra social em benefício da recuperação de homens e
mulheres dependentes de drogas. O aqueduto é tombado pelo Patrimônio
Histórico Municipal e a área é ideal para a prática do alpinismo.
Na barragem dos Mottas, há 10 quilômetros da cidade, no bairro do
Machadilho, pode-se apreciar a represa envolvida por um bosque de pinus
americano, com altura variando entre 30 e 40 metros. Vivem nessas terras
tatus, capivaras, veados, pacas, jacus e juritis. As águas da represa
abrigam traíras, carpas, tilápias e bagres.
No bairro da Rocinha, a 1200 metros de altitude, já próximos a Serra do
Mar e Estância Climática de Cunha, o visitante é presenteado com a
aprazível paisagem serrana. Dali também se avista o vale - de uma beleza
indescritível.
A Gruta de Nossa Senhora de Lourder sempre foi um ponto turístico
religioso de grande atração e numerosa frequencia de romeiros vindos de
Aparecida (situada a apenas 4 quilômetros de Guaratinguetá), que estendem
sua devoção à Gruta, cuja água é considerada abençoada e milagrosa. Mas
atualmente, em fase de finalização do monumento em honra do primeiro
brasileiro nato elevado aos altares em 500 anos de História, a cidade
prepara-se para receber os peregrinos com o carinho que é a sua marca
registrada, porém com a constante preocupação de adequar-se à demanda que
já se avista, buscando não permitir um turismo desordenado.
Com potencial turístico extraordinário, esta terra abençoada por frei
Galvão tem cenários exuberantes, clima agradável, localização estratégica
(distando 235Km da cidade do Rio de Janeiro, e 167km de São Paulo pela
mesma rodovia), e variedade cultural e histórica (tem filhos ilustres como
Presidente Rodrigues Alves, Dr. Zerbini, Dilermando Reis etc).
Todas essas maravilhas, que antes eram privilégios da comunidade, agora
estão sendo descobertas pelos turistas, talvez influenciados pela
canonização de frei Antônio de Sant Anna Galvão. Os "olhos" do Brasil
voltam-se para essa simpática cidade, que precisa despertar o quanto antes
para a poderosa "indústria sem chaminés" , o turismo com profissionalismo
, se estruturando para atender bem os visitantes, inclusive o turista
internacional.
Informações sobre hospedagem: (12) 3132.5211
Fonte: foto: Arnaldo José de Oliveira; Vinicius Fonseca de Almeida - Banco de Imagens - Sebrae-SP
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