Pausa para o cafezinho - Dengue - Febre Amarela
Assessoria de Imprensa / Graphik
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12/08/2008
Dengue - Febre Amarela
Para iniciarmos esta entrevista, gostaria que os Doutores Especialistas nos orientassem quanto à diferença entre as doenças: Febre Amarela e Dengue?

No início, os sintomas são semelhantes em ambas, entretanto, a influenza evolui com sintomas respiratórios como dor de garganta, tosse seca, coriza, lacrimeja mento e no caso da febre amarela pode afetar o fígado, provocando hepatite e como conseqüência: icterícia, hemorragias (gengivas, nariz, estômago, intestino e urina) e coma hepático, os rins causando oligúria (queda do volume urinário) e albuminúria (proteína na urina).

Diagnóstico da febre amarela é feita só com exames laboratoriais?

De modo geral, o diagnóstico é feito através de exames específicos laboratoriais, porém, em situações especiais, quando não houve tempo de coletar sangue, o diagnóstico pode ser feito pelo quadro clínico desde que a pessoa suspeita tenha residido, ou seja, procedente nos últimos 15 dias de uma área de risco para febre amarela ou de locais onde existam casos em macacos.

A identificação básica da Febre Amarela é a Icterícia = pele e olhos amarelados? O que exatamente causa no paciente essa cor amarelada?

A icterícia na febre amarela ocorre por lesão no fígado por destruição de células hepáticas (hepatite).

Quanto à febre amarela, qual tempo para manifestação de sintomas a partir da picada?

Este período entre a picada pelo mosquito ou vetor infectado até o aparecimento de primeiros sintomas denomina-se período de incubação e é de 3 a 6 dias.

Quanto tempo, a partir da “picada” do mosquito, os sintomas já começam a dar sinais de enfermidade no paciente?

É variável. A gravidade da doença depende do estado imunitário do doente e precocidade do tratamento. Tanto pode evoluir para óbito no primeiro dia dos sintomas, como até 10 a 12 dias, que em geral, é o tempo normal da duração da doença.

O contato pessoal entre um indivíduo com Febre Amarela e outro indivíduo sadio possivelmente da sua própria família causaria a transmissão da doença?

A febre amarela não é transmitida de uma pessoa para a outra. A transmissão do vírus ocorre quando o mosquito pica uma pessoa ou primata (macaco) infectado, normalmente em regiões de floresta e cerrado, e depois pica uma pessoa saudável que não tenha tomado a vacina ou esteja com a vacina em atraso.

Portanto, a transmissão ocorre somente através da picada do mosquito Aedes aegypti infectado na área urbana ou do mosquito infectado dos gêneros: Haemagogus (mais freqüente) ou Sabethes na área rural/silvestre. É importante lembrar que no Brasil, a doença se mantém nas matas graças à presença de espécies de símios que alojam o vírus: bugios (Alouatta), saguis (Callithrix), macacos-pregos (Cebus) e macacos de cheiro (Saimiri).

É possível um paciente com Dengue contrair também a Febre Amarela, ou vice-versa?

Existe a possibilidade do paciente de dengue contrair febre amarela, porém, embora necessite de mais estudos, é descrito na literatura que pelo fato de os vírus da dengue e da febre amarela apresentar semelhança estrutural, podem oferecer proteção de curta duração, em relação à febre amarela, quando uma pessoa contrai dengue.

A ocorrência da doença no Brasil sempre foi diagnosticada, porém com baixos índices, mas sempre ocorreram nos anos anteriores?

As primeiras referências da ocorrência de casos de febre amarela no Brasil datam: 1685 – Recife. 1692 - Salvador, provocando 2.000 mortes;
1749 - Reaparece em Salvador de forma explosiva e se espalhou por todo o país;
1902 – Foi realizado em Sorocaba – SP o 1º Combate ao vetor da doença, sob a orientação de Emílio Ribas;
1903 - Oswaldo Cruz iniciou a Campanha contra a febre amarela no RJ;
1928 - A doença reaparece no RJ, causando 436 mortes;
Iniciada, em nível nacional, Campanha contra a febre amarela, resultado do contrato assinado com a Fundação Rockfeller;
1937- Implantação da Vacina contra febre amarela no Brasil;
1940 - Foi criado no Brasil o "Serviço Nacional de Febre Amarela";
1942- últimos casos de febre amarela urbana no Brasil – no município de Sena Madureira, Acre;
1957 - Após ampla campanha de combate ao Aedes aegypti, essa espécie foi declarada erradicada do Brasil, na XV Conferência Sanitária Pan-americana.

O Ministério da Saúde com suas Secretarias Estaduais e Municipais e por sua vez os hospitais e centros de saúde possuem o controle em suas “mãos” da situação dessas doenças no Brasil?

A principal medida para controle de febre amarela é a vacinação específica contra febre amarela que é altamente eficaz. Pelo Programa Nacional de Imunização estabelecido pelo Ministério da Saúde, nas áreas endêmicas, a vacina contra febre amarela faz parte do calendário de vacinação, sendo feita de rotina na rede básica de saúde, a partir de seis meses de idade, com reforço de 10 em 10 anos. As pessoas que se dirigem para áreas de risco também são alertadas para vacinarem no mínimo 10 dias antes da viagem. No município de Guarulhos há posto de vacinação no Ambulatório da Criança, localizado na Rua Osvaldo Cruz 151, Centro e no Posto instalado no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Além disso, o combate ao mosquito Aedes aegypti no que se refere à eliminação de criadouros é realizado através de educação sanitária, ou seja, palestras, concursos em escolas, orientações, cartazes, visitas de agentes de zoonoses, agentes comunitários de saúde com a colaboração da Secretaria da Educação, de Obras, SAAE, Meio Ambiente e com a participação das comunidades.

Por que a duplicidade da vacina dentro de um mesmo período de tempo (10 anos) de imunização é prejudicial ao paciente? O que exatamente ocorre no organismo?

De fato, não se indica outra dose da vacina antes de completar 10 anos depois da última porque há risco maior de ocorrência de efeitos adversos da vacina, incluindo a febre amarela vacinal.

Algum outro esclarecimento importante que gostariam de salientar em nossa entrevista que deixamos de abordar no momento?

No Brasil, a vacina contra febre amarela é indicada para crianças maiores de seis meses e adultos não vacinados e vacinados há mais de 10 anos que residem ou se dirigem para áreas de risco (endêmica, de transição e de risco potencial), não sendo recomendada para gestantes.

Os locais de risco no país são as regiões de matas e rios das seguintes regiões: todos os Estados da região Norte e Centro-Oeste, parte da região Nordeste (Estado de Maranhão, sudoeste do Piauí, oeste e extremo-sul da Bahia), região Sudeste (Estado de Minas Gerais, oeste de São Paulo e norte do Espírito Santo) e Região Sul (oeste dos Estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

O risco de ocorrência de febre amarela nas cidades pela grande infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela nas cidades, ocorre no país inteiro. Basta uma pessoa contrair a doença em uma área de risco, levar para outra área sem risco isto é, onde não se aplica vacina rotineiramente, durante o período de transmissibilidade e ser picada pelo Aedes aegypti e este picar outra pessoa que não é vacinada ou está com a vacina em atraso.

Portanto, há necessidade de que a limpeza e eliminação de criadouros nos quintais e dentro de casas seja uma atividade incorporada no dia-a-dia de cada cidadão. Se cada um fizer a sua parte, estaríamos livres de dengue ou teríamos número pequeno de doentes e nem teríamos o risco de ser atingido pela febre amarela.


Nossos agradecimentos ao Dr. Carlos Eduardo Pierangelo - médico pediatra e sanitarista e a Dra. Ilda Harumi Misaki - médica sanitarista da Equipe Técnica da Divisão Técnica de Epidemiologia e Controle de Doenças do Município de Guarulhos.

Fonte: Guia de Vigilância Epidemiológica, MS; www.cve.saude.sp.gob.br, www.sucen.sp.gov.br, www.biofiocruz.br



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